Dia #33

Julho 10, 2010

Quero-me de volta. O pé não pára, pendente no fundo da perna cruzada, enquanto a conversa flui. Os dedos emaranham-se por nós por experimentar e o riso traz alguma culpa à boa disposição. Há prioridades a serem pensadas e o corpo não quer escolher. Nula. Sou mais do que estas horas de olhos caídos sobre letras que adormecem. Sou mais do que este corpo comprimido que não se deixa ser. Pelo menos, por agora. Que há prioridades.

O cansaço começa a vingar.

Há. Que. Manter. O. Espírito. Positivo.

Comigo: Strange Fruit – Jeff Buckley

Dia #10

Maio 8, 2010

Não houve tempo para ter saudades. Não houve tempo de arrumar a roupa quente, de lhe esquecer as cores e os hábitos. Após uns dias de descanso, a chuva voltou.

Não importa. Com ela, regressa o estudo e os dias em casa. A água leva-nos a inveja do exterior e a tentação de sair diminui. Vagarosa, soa-nos a incentivo, mima as janelas largas por onde vemos o cinza do céu e traz-nos concentração. Não desaba o mundo lá fora, felizmente a chuva voltou de mansinho, sem tiranias nem catástrofes. Assim vale a pena. Com calma, o estudo corre melhor neste som.

Chove e o conforto da casa volta a saber bem.

Comigo: First Day of My Life – Bright Eyes

Dia #6

Maio 4, 2010

Voltam os dias de estudo em tempo de sol. O café de janelas largas relembra o jardim longo, o verde vivo e as cores do Verão. Procuro esquecer a imagem nas linhas pretas das folhas. A vontade é outra.

Lá fora, invejo as raparigas na relva. Era isto que queria para mim hoje. Um pouco mais de calor, como o que se sente dentro do café, um lençol fresco sobre o verde, o corpo alongado sobre ele, o sol nas pernas por bronzear e pouco vento, para que possa ler os apontamentos sem que voem para longe. A motivação seria, com certeza, maior e o sono, enfim, talvez se controlasse com alguma música paralela.

Mas não. Não posso juntar-me ao grupo que relaxa, apenas. Os olhos pesam com a monotonia das conversas das gerações maduras que me rodeiam e os cafés não param de sair. O tema interessa, mas as letras pequenas custam às pálpebras pesadas. As tecnologias entram em acção pois é preciso algum som energético, o ruído hoje é demasiado.Vamos tentar, de novo.

Talvez amanhã traga o lençol.

Comigo: Airbag – Radiohead